(foto daqui: http://olhares.aeiou.pt/pagador_de_promessas_foto2972335.html)
Os primeiros raios de sol brilhavam no orvalho das ervas que a esmo se acomodavam na berma do caminho. No seu pensamento, a grande labuta que a partir dali iniciava, de romaria em romaria, de festa em festa, procurando cumprir o que tinha prometido a si próprio, já havia algum tempo. No corredor que dá para a cozinha lá estava dependurado o calendário com as marcas dos dias de todas as festas e romarias da terra e arredores. Eram muitas mas as promessas são para cumprir - e vinham-lhe à memória as palavras da avó – que o Senhor lá tenha em descanso! – as promessas são para se cumprir, rapaz! Ele não iria falhar – disso poderia a sua avó ter a certeza – cumpriria sem escrúpulos o que prometera. Aliás, já o tinha feito de outras vezes, não era agora que iria falhar. De quatro em quatro anos iniciava esta empreitada,sempre em anos ímpares, ele que nascera num ano ímpar, num mês ímpar, num dia ímpar. Não sabia se a uma hora ímpar. E este atraimento pelos números ímpares que lhe trará reservado para o futuro?- pensava, Jacinto, muitas vezes com os seus botões.Jacinto sabia de muitas coisas; do cheiro das manhãs orvalhadas, da cor dos frutos e das canseiras para ter a mesa farta e as pipas cheias. Conhecia de cor o nome da passarada e as cores do céu pelo fim de uma tarde de Junho. Mas do futuro não percebia lá muito – que o futuro a Deus pertence – sempre ouvira dizer desde rapazote. E a verdade é só uma; que ele bem a conhecia, «que custa mudar o futuro p´ra que cada um nasce, lá isso custa». Muito mais do que se possa imaginar, muito mais do que levantar, ainda noite adentro, e arrastar o corpo para um qualquer campo de trigo a ceifar. E já que ele tinha nascido para esta vida, dorida e sofrida em muitas malgas de sopas de cavalo cansado, não iria querer isso para os seus. Que o rapaz não iria levar a vida dele - isso, nam senhor!-, que o rapaz ainda «iria ser dotor, isso é que era a verdade, verdadinha». Sempre pensou num empregozito: - lá na cambra é qu´ele tava bem! - dizia à vizinhança. E nunca se sabe se um dia ainda não vem a ser presidente – acrescentava o Jacinto, ciente que a fé move montanhas e a dele, que não o levava todos os domingos à obriga da missa dominical – que outras coisas havia sempre a fazer, e – eu cá tenho a minha fé! – dizia sempre que lhe atiravam com as ausências domingueiras, não era menor do que a da vizinha Arminda («falsa como Judas!») mas que não faltava a uma novena do Senhor dos Passos. Mas cá está ele, o Jacinto, a fazer aquilo em que acredita. Começava sempre em Maio, na romaria da Senhora da Orada, e depois não parava mais, de quatro em quatro anos, sempre em anos ímpares, cumpria com a maior fé destes mundos a visita a todas as romarias e festas da região. Quase sempre sozinho, que isto de cumprir promessas tem muito de solitário e ele, Jacinto, sempre gostara de andar mais sozinho do que acompanhado. De vez em quando, lá ia a família, que por vezes, um homem só também não é ninguém. Enquanto ia mastigando a ladainha, vinha-lhe à memória as cruzes marcadas lá no calendário pendurado no corredor que dá para a cozinha. A festa da Sra da Piedade, a festa da Sra da Graça, a festa da Sra do Pranto – a essa não podia ele faltar! – todos os anos se juntava muita gente lá da terra, com os seus farnéis e lá iam à romaria mais importante do ano. Dessa, até a sua avó Maria se lembrava de ter ido de camioneta de carreira. E ele ainda hoje cumpria essa tradição. Esta com a família, claro está, que há alturas em “c´a família nam pode ficar em casa”. Depois ainda havia no calendário o S.Pedro, o S. Braz, o Sr. dos Aflitos, o S. Domingos, a Nª Sra da Paz e a Nª Sra da Saúde. Jacinto estremecia à medida que estas imagens lhe vinham à memória. Calcorreava agora o calendário crispado de cruzes e agradecia a Deus a fé que lhe dera. Um homem de fé é um homem abençoado, sempre ouvira o povo dizer. E, lá para Setembro, então ia à Sra da Guia, da qual a sua avó Maria era muito devota e da qual ainda se lembra da oração que lhe ensinara em pequeno. Mas à Sra da Guia só lá ia mesmo quem merecia, e ele, Jacinto, sentia-se nessa condição de eleito. Ele e quem sabe o seu rapaz, que haveria de arranjar um empregozito lá na cambra e quem sabe, depois de ser dotor - que o rapaz era todo entendido - lá pelos quarenta, «se a Srª da Guia, assim o quizesse», dela haveria ser presidente. Post Scriptum- qualquer semelhança deste texto com a realidade será pura imaginação criativa de um qualquer cidadão mais atento.
(Conto de António José Domingues, candidato do PS à Câmara Municipal de Ansião)
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